A partir do século III, observamos a
crise do sistema econômico de Roma em razão da crise de produção
ocasionada pela redução do número de escravos. Com a divisão dos
latifúndios em pequenas propriedades, a manutenção de escravos se
tornava cada vez mais custosa: muitas vezes, os gastos com a alimentação
e vestuário dos escravos terminavam por consumir toda a produção, nada
restando em termos de lucro, impedindo, assim, o investimento na
manutenção de aquisição de escravos para trabalhar, culminando com a
redução na produção, culminando em um círculo vicioso de redução de
escravos – baixa produção – altos custos – menos lucro.
Por força desse conjunto de motivos, os
proprietários de terras recorreram ao sistema de arrendamento para
buscar uma saída para a crise. Com esse sistema, os trabalhadores
passaram a sustentar-se com os produtos de seu trabalho, cultivando uma
gleba de terra arrendado pelo proprietário, que também dava casa a esses
trabalhadores. Em contrapartida, os trabalhadores, para recompensar o
proprietário pelos benefícios obtidos, eram obrigados a trabalhar alguns
dias durante a semana nas terras desse. Dessa forma, muitos escravos
deixaram sua condição para se tornarem colonos.
Todavia, muitos trabalhadores livres e independentes, em função da
crise, foram rebaixados a essa condição de colonos, alguém que não era
livre por estar preso à terra. Com isso, a cidade deixa de ser o centro
da vida romana, haja vista a grande migração de plebeus urbanos para o
campo, com vistas a se tornarem colonos, fugindo dos problemas oriundos
da crise política e militar romana. A economia, ruralizada, permitiu o
surgimento de unidades de produção autônomas do resto da sociedade;
surgem as vilas, construções protegidas por muros e fossos, onde
habitavam o senhor e seus dependentes. O senhor era o responsável por
garantir a segurança de todos, dirigindo a vida política, econômica e
militar de sua propriedade e daqueles que nela habitavam e laboravam.
Em contrapartida, houve, em função dessa
crise, uma massiva inflação, promovida pelos imperadores, que emitiam
moeda para compensar a falta de circulação econômica, destruindo a moeda
corrente, tornando nulo o cálculo econômico a longo prazo, haja vista a
desvalorização diuturna da moeda que tornava imprevisível o retorno dos
investimentos, e conseqüentemente a acumulação de capital. O lucro era
cada vez mais difícil e o acúmulo de capital era inútil, pois esse se
consumia sozinho, pela altíssima inflação. A emissão de dinheiro, com
vistas a permitir o fluxo de produtos e a produção, gerou o excesso de
moeda com escassez de bens: os comerciantes e produtores aumentavam os
preços dos seus bens muito mais do que os salários podiam acompanhar: o
dinheiro valia cada vez menos e as pessoas compravam também cada vez
menos. A inflação tornou a lucratividade ainda mais difícil, resultando,
assim, num colapso geral do sistema de produção e comércio em larga
escala, bem como a destruição da divisão do trabalho até então vigente e
o êxodo urbano: a migração da população para o campo.
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